Na falta de moradia, famílias ocupam prédios abandonados em Olinda

20 jan

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Vanessa Araújo*
Especial para o NE10

Um bairro fantasma de imóveis abandonados. O cenário é intrigante. Numa época em que o metro quadrado no Grande Recife pode chegar a R$ 4.946, uma verdadeira cidade fantasma se forma a olhos nus. Pelo menos essa é a impressão que se tem ao chegar a Jardim Fragoso, em Olinda, no Grande Recife. Com a interdição em massa de construções condenadas e o medo dos moradores de continuar em uma área onde dois prédios desabaram (Edifício Éricka e o bloco B do Conjunto Enseada de Serrambi), resultando na morte de 11 pessoas, Jardim Fragoso foi sendo, aos poucos, esvaziado. A falta de infraestrutura, com ruas esburacadas e sem calçamento, reduz a procura da área por novos moradores.

A Rua Professor Diógenes Fernandes Távora e as vias do entorno colecionam prédios interditados e já foram alvos de invasões de grupos de movimentos sociais. A situação das construções precárias se estende há mais de uma década, quando os moradores começaram a deixar as residências devido a interdições da Defesa Civil do município.

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Os prédios são do tipo caixão e fazem parte da lista dos 107 edifícios interditados em Olinda. Ao todo, 6 mil construções de alvenaria estrutural (prédios-caixão) apresentaram problema no Estado. Segundo a prefeitura de Olinda, das edificações com risco de desabamento, 34 foram invadidas. Dessas, 26 já teriam sido desocupadas por meio de Ação de Desocupação do Imóvel.

Para evitar que os apartamentos sejam invadidos, a empresa responsável, a Caixa Seguros, colocou guarda e vigilância patrimonial nos prédios e está pagando auxílio-aluguel aos proprietários. Além disso, os principais acessos aos prédios foram fechados até o 2º andar. As medidas, no entanto, não foram obstáculos para que famílias inteiras se instalassem e continuem morando no Edifício Xingu, na Rua Bambu, um dos contemplados com as ações. 

Mesmo sem água nas torneiras nem energia, a família da dona de casa Andressa Silva, 20 anos, encontrou em um dos apartamentos moradia mais digna do que onde morava, na beira do rio. “Tenho três filhos e não temos para onde ir. Tenho medo de a polícia chegar e colocar a gente pra fora. Enquanto isso não acontece, a gente vai ficando e esperando que, um dia, as autoridades lembrem da gente”, diz.

*Com colaboração de Davi Barboza

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