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Moradores de Jardim Fragoso se sentem prejudicados com esquecimento da área

20 jan

 

Os cinco blocos do conjunto Residencial Jardim da Praia, na Rua Professor Diógenes Fernades Távora, em Jardim Fragoso, Olinda, Grande Recife, foram invadidos em julho do ano passado por 158 famílias integrantes do Movimento de Luta pelo Teto (MLT) e desocupados dois meses depois. Após a retirada das pessoas, o cenário de abandono se agravou. Na área do condomínio, a vegetação crescida toma conta da entrada e a piscina acumula lixo e água suja. Sofás deixados pelos antigos moradores ficaram acumulados nas garagens e servem ao uso dos cinco vigias plantonistas.

Há 18 anos desocupado e invadido duas vezes, mesmo com o vigia dentro, o edifício Alfredo Lopes, na Rua Antônio Martiano de Barros, é mais um na lista dos prédios interditados no bairro. Uma moradora de um prédio vizinho, que não quis se identificar, conta que o abandono dos prédios prejudica os outros moradores. “Esses prédios estão prejudicando a gente. É muita muriçoca. Vem gente de todo tipo. Isso ajuda a desvalorizar o local”, diz. 

A opinião do professor Antônio Gomes, 37 anos, proprietário de um apartamento na mesma rua, é semelhante. “O problema é que nem desapropriam nem derrubam. Não resolvem a situação dos prédios e ficam gastando desnecessariamente com vigilantes”, afirma. Segundo a seguradora, grande parte desses edifícios são objeto de ação na Justiça o que impederia a tomada de qualquer providência em relação à recuperação.

Em julho passado, foi a vez do Edifício Ana Amélia, no mesmo bairro, ser interditado. O prédio caixão começou a apresentar rachaduras e as 12 famílias que lá viviam abandonaram o local antes mesmo que fossem solicitados. À época, a Caixa Econômica Federal divulgou nota de esclarecimento aos moradores do prédio, informando que as famílias desalojadas receberiam ressarcimento relativo à perda dos imóveis. Em Jardim Fragoso, dois prédios, o edifício Éricka e o Enseada de Serrambi, do mesmo tipo, desabaram em 1999, resultando na morte de 11 pessoas.

Em 2010, convênio firmado entre os governos Federal, Estadual e prefeituras de cinco municípios da Região Metropolitana – Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Paulista e Camaragibe – prometeu recuperar 340 dos quase seis mil prédios do tipo caixão com risco de desabamento, o que significa menos de 10% dos imóveis. A verba destinada seria de R$ 215,4 milhões.

Na falta de moradia, famílias ocupam prédios abandonados em Olinda

20 jan

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Vanessa Araújo*
Especial para o NE10

Um bairro fantasma de imóveis abandonados. O cenário é intrigante. Numa época em que o metro quadrado no Grande Recife pode chegar a R$ 4.946, uma verdadeira cidade fantasma se forma a olhos nus. Pelo menos essa é a impressão que se tem ao chegar a Jardim Fragoso, em Olinda, no Grande Recife. Com a interdição em massa de construções condenadas e o medo dos moradores de continuar em uma área onde dois prédios desabaram (Edifício Éricka e o bloco B do Conjunto Enseada de Serrambi), resultando na morte de 11 pessoas, Jardim Fragoso foi sendo, aos poucos, esvaziado. A falta de infraestrutura, com ruas esburacadas e sem calçamento, reduz a procura da área por novos moradores.

A Rua Professor Diógenes Fernandes Távora e as vias do entorno colecionam prédios interditados e já foram alvos de invasões de grupos de movimentos sociais. A situação das construções precárias se estende há mais de uma década, quando os moradores começaram a deixar as residências devido a interdições da Defesa Civil do município.

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Os prédios são do tipo caixão e fazem parte da lista dos 107 edifícios interditados em Olinda. Ao todo, 6 mil construções de alvenaria estrutural (prédios-caixão) apresentaram problema no Estado. Segundo a prefeitura de Olinda, das edificações com risco de desabamento, 34 foram invadidas. Dessas, 26 já teriam sido desocupadas por meio de Ação de Desocupação do Imóvel.

Para evitar que os apartamentos sejam invadidos, a empresa responsável, a Caixa Seguros, colocou guarda e vigilância patrimonial nos prédios e está pagando auxílio-aluguel aos proprietários. Além disso, os principais acessos aos prédios foram fechados até o 2º andar. As medidas, no entanto, não foram obstáculos para que famílias inteiras se instalassem e continuem morando no Edifício Xingu, na Rua Bambu, um dos contemplados com as ações. 

Mesmo sem água nas torneiras nem energia, a família da dona de casa Andressa Silva, 20 anos, encontrou em um dos apartamentos moradia mais digna do que onde morava, na beira do rio. “Tenho três filhos e não temos para onde ir. Tenho medo de a polícia chegar e colocar a gente pra fora. Enquanto isso não acontece, a gente vai ficando e esperando que, um dia, as autoridades lembrem da gente”, diz.

*Com colaboração de Davi Barboza

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