Passar uns dias de férias em Cachoeirinha sempre rendem boas risadas e, consequentemente, boas histórias, que fico com vontade de compartilhar, mas com preguiça de escrever. Fazia tempo que eu não me deliciava com a companhia dos meus irmãos.
Bruno tem agora seis anos e já foi personagem de outros relatos neste Relógio de Sol. Rostinho redondo, sorriso e senso de humor contagiantes. Conhecido pelas suas habilidades com aquilo que é good e nóis num have, o menino me impressionou quando o vi falando dos tipos de jogos do Pôquer. É, meu irmão sabe jogar. Participa de partidas na Internet. E ganha.
Bia já é uma mocinha (linda, diga-se de passagem!). Domingo, a chamei para passear e comer pizza… Mas ela não quis. Fiquei sem entender. Ela estava “amuada” e não explicou o motivo da recusa. Mais tarde, quando voltei, perguntei novamente o porquê de não ter ido conosco. A resposta? Ela mesma disse: “frescurês”. Ai, a adolescência…
Nos dias anteriores, passei várias horas com Manu e Mari, as gêmeas de cinco anos. Levei um livro para cada. Manu guardou como se fosse o melhor presente que já havia recebido. Já Mari, esperneou, gritou: queria o livro da outra. Tão parecidas, mas tão diferentes!
Mari é daquelas crianças espertas que aprende as coisas rápido e tem um desejo imenso de crescer. Não sabe ela o que a espera nesse mundo de adultos… Já Manu aproveita a idade como se tivesse noção de que tudo só se vive uma vez.
Certa noite, antes de dormir, as duas brincavam de casinha. Quando passei pelo quarto para desejar “boa noite”, Mari olha para o espelho e diz: “Eu já queria ser do teu tamanho”. Ao que Manu, de imediato, questiona: “Vanessinha, é bom ser gente grande? Eu acho que não. Gente grande sofre…”