Quase todo dia ela faz tudo sempre igual… Ela não é adepta a rotinas, mas algumas pessoas que a rodeiam acham-na regrada, certinha demais… Ledo engano, não a conhecem bem. Numa periodicidade meio incerta, ela, cansada, espera uns 15 minutos pelo tão tedioso ônibus que a levará a algum lugar. Na certeza de que não conseguirá um assento, tenta levar seus pensamentos ao longe, na esperança de encurtar a viagem. O “algum lugar” ainda não chegou, mas ela se levanta. Desce do ônibus e todas as outras pessoas com quem dividia aquele abafado ambiente também descem, parecendo concordar com ela: que alívio! E uma multidão de falas, odores, gritos, suores, rostos cansados, aflitos, de trabalhadores, de estudantes, de vagabundos… Todos ali, numa socialização forçada, necessária. O metrô chega e o mais esperto que trate de garantir seu lugar. Às vezes, ela não é esperta… E o tempo passa, e ela olha o relógio, e o ponteiro parece correr, e ela sobe no outro ônibus e pensa “um dia, será tudo diferente!” Acredita, no entanto, que a última viagem dá-lhe um prêmio: pontes, rio, luzes, uma cidade linda que parece estar se arrumando para voltar a casa depois de um dia laboroso. Mas esse é só um pedacinho do presente. O que a revigora mesmo é passar em frente àquela fábrica de biscoitos e sentir o cheiro da guloseima saindo do forno… Aí ela pensa: “a vida pode ser, sim, doce e cheirosa!”
ótimo texto!
e ainda fala “não sei escrever…”
vai nesse talento que Deus te deu!
te amo
a paisagem do recife, com ares de uma mulher madura e charmosa, mas bastante descuidada, também traz conforto e certa dose de excitação para meu caminho à TV. :~
ameei.
me fizeste refazer nossa viagem de quase todo dia.
sendo que dessa vez não viajei contigo apenas de corpo presente. vi o tu viste, e, tenho que afirmar: é muito melhor.
- até a parte mais nojenta tu escreveu poeticamente
ta lindo.
beeijo =*
e a esquimó esquisita?