O sentimento é de perda. Pela visita que não mais acontecerá, pela voz que nunca mais se ouvirá, pelo abraço que ficou apenas na lembrança. Palavras me fogem e um grande vazio me limita a dizer tudo o quanto a pessoa que se foi merecia ouvir. Saudade é o que nos resta. E o reconhecimento das coisas boas que nos deixara, das risadas, das palavras certas na hora certa, do bem-estar que nos trazia pela simples presença…
Novembro 26, 2009
Novembro 16, 2009
Feliz é, se assim lhe parece
O CEFET foi definitivamente um divisor de águas na minha vida. Os amigos que fiz lá, os três anos tão intensos me tornaram uma pessoa diferente. E eu nunca imaginaria que, quase 5 anos depois, nós continuaríamos nos reunindo pra compartilhar uma conversa tão à vontade.
A academia de tia Márcia é, como Rayane diz, um lugar para as pessoas se sentirem como se estivessem em casa. E não é mentira. Aquelas cores, aquele vento, aquelas pessoas têm uma energia que, juntos, transformam qualquer encontro em felicidade. Qualquer estalo em dança. Qualquer ritmo em sintonia. Qualquer abraço em afeto.
Embora próximos – uns mais, outros menos -, a verdade é que as diferenças, outrora motivo de desentendimentos, lá não tiveram vez. Rimos. Dançamos, comemos, trocamos copos, ideias, segredos, sorrisos e abraços. Que venham outros desses, mesmo que seja uma vez por ano. Nos permitamos a voltar para saber uns dos outros, se para si valha a pena como vale para a que vos escreve.
Novembro 12, 2009
Jingle bells
A pessoa tá lá bem tranquila no ônibus quando escuta uma voz estridente: “Mãããe, quando a gente chegar em casa, a gente vai armar a árvore de Natal, viu?! Nada de chegar e fazer tarefa de casa.”
A mãe, pacientemente, explica: “Não, filho, ainda não é hora de armar a árvore, estamos em novembro.” O menino: “Ah, então tá, você escolhe: ou você arma ou eu não faço a tarefa de casa!”
Criança autoritária essa e totalmente influenciada pela decoração natalina que rodeia a cidade. Quando eu era criança, as lojas começavam a se enfeitar em dezembro. Pois é… ainda nem chegamos na metade de novembro!
Carnaval já começa em Dezembro. Daqui a pouco teremos Natal no Dia das Crianças e São João no Carnaval… Até que gire o calendário novamente e tudo volte ao normal?!
Novembro 9, 2009
Que fome que dá
Sábado eu já havia almoçado quando cheguei à casa de Bobelino, lá por volta das 4 da tarde. Não sei, mas percebo que aquela casa me dá fome e sono, duas das coisas que estão no topo das minhas preferências. Pois bem, chegando lá, pedi um biscoito,mas o macarrão e a carne, que estavam ainda em cima do fogão encheram minha boca d’água. “Posso comer?”, perguntei. “Pode, sim.”
Ah, mas agora eu lembrei da cara dele quando descobriu que eu estava no meu 2º almoço do dia: era uma mistura de espanto e indignação. E, diga-se de passagem, parecia que era o 1º, daqueles que você sente quando seu corpo está sendo abastecido. Hahaha…Por esses dias, ando enjoada de feijão, aí vem aquela vontaade de comer macarrão! Que engorda, aff!
E eu que tinha me prometido fazer um regimezinho pra tomar banho de piscina na academia de tia Márcia. Já é sábado e eu continuo comendo…Laura vai estar lá, exibindo sua magreza e eu querendo ficar igual a ela. Mas nem a balança do shopping, que mostrava DOIS quilos a mais do que o habitual, me intimidou. Quando chegamos em casa, me arrisquei a comer dois pães com uma mistura tão boa…
Prometo fechar a boca. :X
Hoje é domingo, pede cachimbo
Estou descansando e Recife parece compartilhar dessa minha preguiça de voltar à segunda-feira. À tarde, paira um silêncio, que dá até para ouvir um canto de pássaro ao longe… A gente olha pela janela. O que será a essa hora quebrando o silêncio da União, da Aurora e da Saudade?, pensamos. Trompete, surdo, pratos, bumbo, corneta. – Eles tocam bem, né?! – Ééé, parece música de filme da Disney!
Depois de um diálogo conturbado, resolvo descer pra ver de perto aquela música que me encheu de alegria de longe. Atrás do GP, a fanfarra do referido colégio ensaiava uma apresentação, que depois vim saber, aconteceria na quadra do IEP, mais tarde.
Aí lembrei de quando eu era criança e desfilava em 7 de setembro em Cachoeirinha. Eu sempre criava expectativas quando voltava das férias, porque as mães se reuniam pra decidir as fantasias que deveríamos vestir. Aliás, nunca entendi o porquê das fantasias, mas adorava. Enquanto via a banda marchando e tocando tão harmonicamente, lembrei que um dos meus sonhos aos 6 anos era chegar aos 15 logo pra poder tocar pratos na banda de Tia Trindade, que não existe mais. Só as meninas grandes é quem participava dela, e eu, que era a menor da sala, queria algo a mais que simplesmente envelhecer rápido…
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A volta me machucou, assim como eu machuquei antes de sair, ou até mesmo saindo. Desculpa?! Sim, sim.
Amor.
Novembro 6, 2009
Ao vencedor, as batatas!
Vida corrida. Aulas, estudos, cursos, concursos. É tudo tão rápido! Passa como um piscar de olhos. Até parece que foi ontem que eu ingressei no mundo acadêmico… Quantos planos, quantas ideias, quantas frustrações! Uma das decepções diz respeito ao egoísmo das pessoas em não compartilhar informações, conhecimento, material. Ai, como eu queria conseguir dizer, sem dizer.
A nossa sociedade é marcada por individualismos, competições. Afinal, temos que ser vencedores. E como disse Quincas Borba, “ao vencedor, as batatas!”
Começo a me preocupar com essa ideia. As pessoas só estão preocupadas consigo, a criança tem que ser a melhor na escola e na natação, o pai não quer um filho fracassado. A concorrência está intrínseca ao nosso modelo econômico, mas não nos deixemos recrudescer.
Outubro 30, 2009
Realidade matinal de passageiros
(7h da manhã): Bom dia, pessoal! Desculpe tá atrapalhando a viage de vocês. Eu tô aqui porque tô desempregada e tenho duas filha pra criar. Aí vocês podia pensar assim: “essa moça tão nova devia era procurar emprego”, mas emprego tá difícil, pessoal. Essa minha menina teve internada no Helena Moura por dois mês. A outra menina mais nova ficou com a minha mãe em Aguazinha. Pessoal, eu tô pedindo uma ajuda porque preciso comprar leite pras minhas menina. O bolsa-escola, minha mãe recebia no nome dela, mas mataram ela e meu pai por causa de um irmão meu. Ele levou um tiro na cabeça e hoje manca de uma perna. Pessoal, ele não tem o crânio da cabeça, só os miolos solto. Essa minha menina aqui tem problema de pele e precisa de pomada pra passar. Quem puder ajudar, pessoal, que Deus abençoe. Cinco centavo, dez centavo, cinquenta, um real. Obrigado, pessoal. Tenham uma boa viage.
Essa cena virou rotina nos coletivos de Recife e eu notei que, do ano passado para cá, pouquíssimas são as vezes em que não há pedintes que pedem desculpa por atrapalhar a viagem, e começam a sua ladainha. É deficiente, doente, desempregado, mãe, criança… Às vezes, me sinto mal por ignorá-los, mas está insuportável escutar o mesmo discurso, com o mesmo tom de cantoria triste, todos os dias.
Dia desses, me entregaram um papel assim: “SOU MUDO(A). PRECISO DE AJUDA.” Ninguém é mudo(a). Mas o dono da empresa de mendicância talvez não tenha percebido isso…
E de verdade, dá para saber quem está sendo sincero, que precisa do trocado para saciar sua fome de um dia? Nessas idas e vindas centro-casa-universidade, as figuras se repetem. E me desculpem os homens de boa vontade, mas eu não ajudo mais…
Outubro 27, 2009
Sobre domingos
Pra mim, todo dia deveria ser domingo. Ao contrário de muita gente, considero os domingos dias especiais.
Domingo é quando eu faço tudo o que não dá pra fazer durante a semana e ainda tenho tempo de descansar.
Domingo tem cheiro de… domingo! E quem convive comigo sabe de que cheiro eu falo. O bom cheiro de galeto na brasa.
No domingo, Recife é outra cidade! O ônibus chega no centro em 15 minutos, viagem que leva 1h nos dias normais. As pontes são desertas, dá pra fazer um percurso para a Cultura admirando o rio, os prédios…
Depois da ansiedade causada pela demora do ônibus e de uma prova tão indefinível para estágio, esse domingo foi de almoço em família e batizado de prima.
Mas como eu disse, aos domingos, dá pra fazer tudo o que não se faz durante a semana e ainda sobra tempo. A gente foi a um aniversário num barzinho tranquilo em Boa Viagem, com pôr-do-sol bonito, cerveja gelada, amigos por perto. Marcelly, a dona da festa, pegou o microfone e cantou ” de tanto levar frechada do teu olhar, meu peito até parece sabe o quê…”
Esse domingo também foi de samba.
Outubro 8, 2009
Uma cordialidadezinha aqui, outra ali…
Como diz minha amiga de longa data, a jovem Laura, quando ela lembra do meu pai, o que mais vem à cabeça é “Ah.. mas Vanessinha…”, “Vanessinha gosta..”, “Vanessinha é assim… ou assado..” Aí eu pensei nisso quando tava estudando e notei que essa nossa peculiaridade (brasileira) de apego aos diminutivos tem uma explicação sociológica, que ganhou espaço significativo numa das obras mais importantes sobre a nossa história: Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda.
Um dos seus capítulos, intitulado “O Homem Cordial”, traz uma observação sobre essas nossas formas sintáticas. A terminação constante com “inhos” e “inhas” serve para nos familiarizar mais com as pessoas ou os objetos. “É a maneira de fazê-los mais acessíveis aos sentidos e também aproximá-los do coração.” (p.148) Daí é que vem o cordial, de coração.
Esse caráter cultural, amparado no comportamento das relações coloquiais, tem a singela intenção de dar um toque amigável à conversa e pedir, indiretamente, reciprocidade.
Somos singulares em misturar instituições com relações sociais, em expressar nossas emoções de forma transbordante, em sermos hospitaleiros, generosos, solidários. A verdade é que gostamos de estabelecer intimidade. Somos pouco coesos e pouco disciplinados.
Essa caracterítica, no entanto, nos impede de, por exemplo, tomarmos decisões racionalmente e de fundar na sociedade princípios neutros e normas antiparticularistas. Somos a favor da indicação em um emprego por pura amizade e não por acreditar na total capacidade da pessoa. Assim, a vontade privada é quase sempre sobreposta à pública.
Setembro 28, 2009
Significa criar laços

“Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol.” E assim é.
Esse post é para você, meu bem, que me cativou e cuida de mim. Feliz 22!