Meu relógio e os contratempos

Novembro 9, 2009

Que fome que dá

Arquivado em: Uncategorized — Nessa @ 1:22 am

comida Sábado eu já havia almoçado quando cheguei à casa de Bobelino, lá por volta das 4 da tarde. Não sei, mas percebo que aquela casa me dá fome e sono, duas das coisas que estão no topo das minhas preferências. Pois bem, chegando lá, pedi um biscoito,mas o macarrão e a carne, que estavam ainda em cima do fogão encheram minha boca d’água. “Posso comer?”, perguntei. “Pode, sim.”

Ah, mas agora eu lembrei da cara dele quando descobriu que eu estava no meu 2º almoço do dia: era uma mistura de espanto e indignação. E, diga-se de passagem, parecia que era o 1º, daqueles que você sente quando seu corpo está sendo abastecido. Hahaha…Por esses dias, ando enjoada de feijão, aí vem aquela vontaade de comer macarrão! Que engorda, aff!

E eu que tinha me prometido fazer um regimezinho pra tomar banho de piscina na academia de tia Márcia. Já é sábado e eu continuo comendo…Laura vai estar lá, exibindo sua magreza e eu querendo ficar igual a ela. Mas nem a balança do shopping, que mostrava DOIS quilos a mais do que o habitual, me intimidou. Quando chegamos em casa, me arrisquei a comer dois pães com uma mistura tão boa…

Prometo fechar a boca. :X

Hoje é domingo, pede cachimbo

Arquivado em: Uncategorized — Nessa @ 12:06 am

Estou descansando e Recife parece compartilhar dessa minha preguiça de voltar à segunda-feira. À tarde, paira um silêncio, que dá até para ouvir um canto de pássaro ao longe… A gente olha pela janela. O que será a essa hora quebrando o silêncio da União, da Aurora e da Saudade?, pensamos. Trompete, surdo, pratos, bumbo, corneta. – Eles tocam bem, né?! – Ééé, parece música de filme da Disney!

Depois de um diálogo conturbado, resolvo descer pra ver de perto aquela música que me encheu de alegria de longe. Atrás do GP, a fanfarra do referido colégio ensaiava uma apresentação, que depois vim saber, aconteceria na quadra do IEP, mais tarde.

Aí lembrei de quando eu era criança e desfilava em 7 de setembro em Cachoeirinha. Eu sempre criava expectaivas quando voltava das férias, porque as mães se reuniam pra decidir as fantasias que deveríamos vestir. Aliás, nunca entendi o porquê das fantasias, mas adorava. Enquanto via a banda marchando e tocando tão harmonicamente, lembrei que um dos meus sonhos aos 6 anos era chegar aos 15 logo pra poder tocar pratos na banda de Tia Trindade, que não existe mais. Só as meninas grandes é quem participava dela, e eu, que era a menor da sala, queria algo a mais que simplesmente envelhecer rápido…

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A volta me machucou, assim como eu machuquei antes de sair, ou até mesmo saindo. Desculpa?! Sim, sim.

Amor.

Novembro 6, 2009

Ao vencedor, as batatas!

Arquivado em: Uncategorized — Nessa @ 1:25 am

Vida corrida. Aulas, estudos, cursos, concursos. É tudo tão rápido! Passa como um piscar de olhos. Até parece que foi ontem que eu ingressei no mundo acadêmico… Quantos planos, quantas ideias, quantas frustrações! Uma das decepções diz respeito ao egoísmo das pessoas em não compartilhar informações, conhecimento, material. Ai, como eu queria conseguir dizer, sem dizer.

A nossa sociedade é marcada por individualismos, competições. Afinal, temos que ser vencedores. E como disse Quincas Borba, “ao vencedor, as batatas!”

Começo a me preocupar com essa ideia. As pessoas só estão preocupadas consigo, a criança tem que ser a melhor na escola e na natação, o pai não quer um filho fracassado. A concorrência está intrínseca ao nosso modelo econômico, mas não nos deixemos recrudescer.

Outubro 30, 2009

Realidade matinal de passageiros

Arquivado em: Uncategorized — Nessa @ 10:47 pm

(7h da manhã): Bom dia, pessoal! Desculpe tá atrapalhando a viage de vocês. Eu tô aqui porque tô desempregada e tenho duas filha pra criar. Aí vocês podia pensar assim: “essa moça tão nova devia era procurar emprego”, mas emprego tá difícil, pessoal. Essa minha menina teve internada no Helena Moura por dois mês. A outra menina mais nova ficou com a minha mãe em Aguazinha. Pessoal, eu tô pedindo uma ajuda porque preciso comprar leite pras minhas menina. O bolsa-escola, minha mãe recebia no nome dela, mas mataram ela e meu pai por causa de um irmão meu. Ele levou um tiro na cabeça e hoje manca de uma perna. Pessoal, ele não tem o crânio da cabeça, só os miolos solto. Essa minha menina aqui tem problema de pele e precisa de pomada pra passar. Quem puder ajudar, pessoal, que Deus abençoe. Cinco centavo, dez centavo, cinquenta, um real. Obrigado, pessoal. Tenham uma boa viage.

Essa cena virou rotina nos coletivos de Recife e eu notei que, do ano passado para cá, pouquíssimas são as vezes em que não há pedintes que pedem desculpa por atrapalhar a viagem, e começam a sua ladainha. É deficiente, doente, desempregado, mãe, criança… Às vezes, me sinto mal por ignorá-los, mas está insuportável escutar o mesmo discurso, com o mesmo tom de cantoria triste, todos os dias.

Dia desses, me entregaram um papel assim: “SOU MUDO(A). PRECISO DE AJUDA.” Ninguém é mudo(a). Mas o dono da empresa de mendicância talvez não tenha percebido isso…

E de verdade, dá para saber quem está sendo sincero, que precisa do trocado para saciar sua fome de um dia? Nessas idas e vindas centro-casa-universidade, as figuras se repetem. E me desculpem os homens de boa vontade, mas eu não ajudo mais…

Outubro 27, 2009

Sobre domingos

Arquivado em: Uncategorized — Nessa @ 9:26 pm

Pra mim, todo dia deveria ser domingo. Ao contrário de muita gente, considero os domingos dias especiais.

Domingo é quando eu faço tudo o que não dá pra fazer durante a semana e ainda tenho tempo de descansar.

Domingo tem cheiro de… domingo! E quem convive comigo sabe de que cheiro eu falo. O bom cheiro de galeto na brasa.

No domingo, Recife é outra cidade! O ônibus chega no centro em 15 minutos, viagem que leva 1h nos dias normais. As pontes são desertas, dá pra fazer um percurso para a Cultura admirando o rio, os prédios…

Depois da ansiedade causada pela demora do ônibus e de uma prova tão indefinível para estágio, esse domingo foi de almoço em família e batizado de prima.

Mas como eu disse, aos domingos, dá pra fazer tudo o que não se faz durante a semana e ainda sobra tempo. A gente foi a um aniversário num barzinho tranquilo em Boa Viagem, com pôr-do-sol bonito, cerveja gelada, amigos por perto. Marcelly, a dona da festa, pegou o microfone e cantou ” de tanto levar frechada do teu olhar, meu peito até parece sabe o quê…”

Esse domingo também foi de samba.

 

 

Outubro 8, 2009

Uma cordialidadezinha aqui, outra ali…

Arquivado em: Uncategorized — Nessa @ 8:20 am

Como diz minha amiga de longa data, a jovem Laura, quando ela lembra do meu pai, o que mais vem à cabeça é “Ah.. mas Vanessinha…”, “Vanessinha gosta..”, “Vanessinha é assim… ou assado..” Aí eu pensei nisso quando tava estudando e notei que essa nossa peculiaridade (brasileira) de apego aos diminutivos tem uma explicação sociológica, que ganhou espaço significativo numa das obras mais importantes sobre a nossa história: Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda.

Um dos seus capítulos, intitulado “O Homem Cordial”, traz uma observação sobre essas nossas formas sintáticas. A terminação constante com “inhos” e “inhas” serve para nos familiarizar mais com as pessoas ou os objetos. “É a maneira de fazê-los mais acessíveis aos sentidos e também aproximá-los do coração.” (p.148) Daí é que vem o cordial, de coração.

Esse caráter cultural, amparado no comportamento das relações coloquiais, tem a singela intenção de dar um toque amigável à conversa e pedir, indiretamente, reciprocidade.

Somos singulares em misturar instituições com relações sociais, em expressar nossas emoções de forma transbordante, em sermos hospitaleiros, generosos, solidários. A verdade é que gostamos de estabelecer intimidade.  Somos pouco coesos e pouco disciplinados.

Essa caracterítica, no entanto, nos impede de, por exemplo, tomarmos decisões racionalmente e de fundar na sociedade princípios neutros e normas antiparticularistas. Somos a favor da indicação em um emprego por pura amizade e não por acreditar na total capacidade da pessoa. Assim, a vontade privada é quase sempre sobreposta à pública.

Setembro 28, 2009

Significa criar laços

Arquivado em: Uncategorized — Nessa @ 11:29 am

pequeno-principe

“Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol.” E assim é.

Esse post é para você, meu bem, que me cativou e cuida de mim. Feliz 22!

Setembro 20, 2009

Recife pela adoção de animais: responsabilidade social – Parte III

Arquivado em: Uncategorized — Nessa @ 10:13 am

Para adotar ou ajudar

  • Para adotar um dos animais do CVA, basta ir ao centro, localizado na Rua Costa Azevedo, em Peixinhos, Olinda. O interessado escolherá o bicho e assinará um termo de compromisso, garantindo o bem-estar dele. Para mais informações: 3232 7756.
  • Para adotar um dos animais que Tui Rapa Nui abriga, entrar em contato pelo e-mail tuirapanui@gmail.com ou para ajudá-la na continuidade do projeto, fazer doações (Banco do Brasil, Agência 2365-5, Conta-poupança 44729-X).
  • “Adote um vira-lata” – eles recebem doação de medicamentos e ração; realizam a venda de rifas e de camisetas masculinas e femininas com o símbolo do projeto e recebem ajuda financeira através de depósitos (Banco do Brasil, Agência: 3613-7, Conta 42760-8).

Chips vão monitorar cães e gatos em Recife

A Prefeitura do Recife irá adquirir 500 microchips que ajudarão a identificar e monitorar os animais de grande e pequeno porte que são recolhidos das ruas da cidade. Segundo o médico-veterinário do CVA Antônio Santos, a implantação da novidade ainda não tem data prevista e será feita quando a clínica para castração no CVA for reativada.

O serviço será gratuito e destinado, primeiramente, a pessoas de baixa renda cadastradas com antecedência. Isso permitirá que os donos dos animais “chipados” sejam identificados e devidamente punidos caso eles sejam novamente abandonados.

Setembro 18, 2009

Recife pela adoção de animais: responsabilidade social – Parte II

Arquivado em: Uncategorized — Nessa @ 1:16 pm

Importância da adoção de animais

O Centro de Vigilância Ambiental (CVA) é responsável pelo controle de zoonoses na cidade, que podem ser transmitidas por animais maltratados. No entanto, não há política pública de controle populacional dos animais, o que acarreta a morte deles se não forem resgatados no CVA no prazo de até três dias.

Muitas são as reivindicações dos ativistas e interessados no assunto no que diz respeito a essa prática. Segundo Débora Valença, do “Adote um vira-lata”, os números de animais que são mortos no CVA variam muito conforme a fonte. No site da Prefeitura da Cidade do Recife (PCR), consta que, por mês, cerca de 400 animais de pequeno porte (cães e gatos) são recolhidos das ruas da capital, desses, pelo menos metade são eutanasiados. Mas o ADA, por exemplo, afirma que o número de animais mortos no CVA chega a 2 mil por mês.

Antônio Santos é chefe do controle de raiva do CVA e um dos oito médico-veterinários que lá trabalham. Segundo ele, esses números não correspondem à verdade e a preocupação maior do centro não é a realização da eutanásia nos animais, e sim, a castração e esterilização para o controle de zoonoses. No entanto, esse serviço está interrompido por falta de recursos e deverá ser reativado no final desse mês.

O trabalho que Tui Rapa Nui realiza voluntariamente é de responsabilidade da prefeitura: a redução do impacto ambiental, que deveria ter como prioridade o controle da população dos cães e gatos. Por enquanto, o serviço público que é prestado não prima pela vida e pelos cuidados dos animais. Dessa forma, por não suportar ver os bichos abandonados, ela acaba arcando com gastos incontroláveis. “Já me endividei até o pescoço, para continuar cuidando-os como merecem: 50 kg de ração por semana! Além de vacinas anuais e vermifugação”, comenta Tui.

Na casa onde ela mora sozinha, há uma suíte vaga que nunca foi ocupada porque nenhum de seus amigos/amigas quer dividir por conta da “bicharada”, que, mesmo ficando do lado de fora da casa, ainda assim parece ser incômodo para eles. Ela mantém os animais por conta própria e não tem ajuda financeira.

Atualmente, ela está com um trabalho na Rede de Adoção de Animais, um site para divulgar a adoção de animais abandonados que foram resgatados das ruas, tratados, vacinados e vermifugados.  As fotos e as fichas são colocadas na rede a fim de encontrar “pais” para os bichos. “Recentemente, uma cadelinha ficou à beira da morte, com babésia,erlíquia e insuficiencia renal, relatei o que estava acontecendo e os protetores da rede se mobilizaram para dar uma força… Foi lindo! Agora, ela está se recuperando na velocidade do som!”, comemora Tui.

No entanto, para continuar esse trabalho, ela precisa urgentemente de pessoas interessadas em adotar um dos animais de que ela cuida. Para ela, é preciso que os que já estão devidamente tratados deem espaço para outros que se encontram abandonados e maltratados.

Gatos bebês recebem os cuidados da protetora Tui

Gatos bebês recebem os cuidados da protetora Tui

Setembro 17, 2009

Recife pela adoção de animais: responsabilidade social – Parte I

Arquivado em: Uncategorized — Nessa @ 10:13 pm

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Filhotes bem-cuidados aguardam por adoção

Tui Rapa Nui é tradutora, intérprete, fotógrafa e estudante de música. Ela trabalha em casa traduzindo livros e, ocasionalmente, em eventos de música, além de dar aulas de inglês. Onde mora, a jovem abriga animais abandonados, mas explica: “nunca havia chegado ao ‘caos’ antes”, isso porque ela perdeu as contas da quantidade de cachorros e gatos de rua que levou para lá. Ela faz trabalho voluntário em diversos grupos e redes e sua intenção é semelhante a de dois movimentos ativistas pró-animais existentes na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o “Adote um vira-lata” e o Ativistas pelos Direitos dos Animais (ADA).

O projeto “Adote um vira-lata” foi idealizado pela professora do curso de Ciências Biológicas da UFPE, Ariene Bassoli, tendo início em agosto deste ano. Ganhou vários adeptos da causa e dispostos a ajudar, sendo, portanto, poucas e ainda recentes as suas atividades, a exemplo dos mutirões de limpeza do ambiente e dos animais do “Lar de Dona Tarcísia”. Lá existem vários gatos e cachorros que, com certa frequência, são vermifugados e vacinados pelos voluntários do mutirão.

Segundo a integrante do grupo Débora Valença, o projeto é voltado à melhoria da condição de vida de cães e gatos que moram no abrigo, envolvendo castrações e cirurgias, quando necessárias. Eles pretendem no próximo mês começar a fazer campanhas educativas em escolas públicas e particulares, feiras de filhotes para adoção, castrações em comunidades carentes, a fim de ajudar a diminuir a população de animais errantes. Através da venda de camisetas, chaveiros e ecobags, o grupo arrecada dinheiro para custear as atividades.

Nesse mesmo intuito, o ADA (Ativistas pelos Direitos dos Animais) surgiu em outubro de 2007, como uma convergência de humanos preocupados com a preservação do bem-estar e dos direitos básicos dos que eles chamam de “animais não-humanos”. O grupo defende alternativas à utilização abusiva de animais para satisfazer as necessidades humanas.

Seus trabalhos consistem, principalmente, em promover mostras de vídeo, palestras, cursos e reuniões semanais no Centro de Ciências Biológicas da universidade (CCB/UFPE) para discutir temas relacionados aos Direitos dos Animais. Segundo o grupo, esses direitos são violados milhões de vezes, todos os dias, em diversas atividades, como o comércio de peles, a indústria de carnes, o tráfico de animais silvestres, os maus tratos a animais domésticos e a indústria farmacêutica e de cosméticos, que utilizam animais para testar seus produtos.

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